sábado, 31 de outubro de 2020

O quadro que o diabo pintou

 

Rios e milhas distantes 

A taça cheia de vinho 

Um renegado sentado 

Com sua espada enferrujada

Barba pra fazer 

Solto nas pilastras 

Lascas do reino desmoronando

O pingente dado ao nascer 

A proteção que não lhe cabia 

Deixou-se cair em tentação

O sangue do inocente 

Na garrafa de vinho 

Pulsos firmes segurando 

A linha atemporal

O pedido de ajuda na janela

Cinzas e brasas acesas

Sufocando o oxigênio

O cão de guarda saudando 

A lua 

Anoitecer violento 

Vidas ceifadas pela ignorância

Um bilhete caído

Com o selo papal

Nem ele poderia segurar a irá

De um deus misericordioso

A chuva apagando o fogo 

Nas vilas vizinhas

Dizimou algo que não pôde 

Devolver 

Seus soldados jazidos 

Putrefados,andarilho

Pisando em falso 

Nós cadáveres do que 

Foi um amanhã.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Um homem morto caminha


Resquícios de uma vida

Enquanto caminho 

Desacelerado

Eu seguirei em frente enquanto eles querem decidir por mim

Mais uma vez morrendo por dentro

A sombra do que um dia eu fui 

Hoje só restaram fragmentos

Não é justo pedir 

Aquilo de volta 

Eu não vou implorar 

De joelhos,vencido

Esperando a compaixão

O nô na corda

Feita pra mim 

Renegado e esquecido 

Um morto caminha

Um homem morto 

Que era respeitado

Recebeu a dádiva da lua

Deixou escapar entre os dedos

Paranóico

Pisando nas poças

Que a chuva deixou 

Contando seus trocados 

Ajeitando a roupa amarrotada

Por onde for amaldiçoado

Ganhou um codinome

Covardes 

Apedrejam inocentes 

Assistindo tudo deteriorar

Voltando ao começo 

Tentando resgatar 

Seu norte 

Enterrada a sete palmos

Ele conhece o nome na lápide

O pássaro Negro pousado

Fazendo ninho onde 

Nem ele ousou chorar.

Danação


Ninguém vem te salvar na madrugada fria e chuvosa 

Viciado em cair 

Ele deixa tudo pra trás 

O demônio atrás da porta 

O espreita 

Te vê chorar 

Consolando o incomodo

Que range nas paredes do teu peito

Consegue ver isso se expandir no

Corpo inteiro 

Isso aqui não é o inferno?

O demônio se compadece

Daquela alma condenada 

Finjindo não cuidar 

Ele caiu mais uma vez 

O condenado carrega as cicatrizes 

De uma vida sem amor 

Cavando com afinco 

Encontrando os ossos 

No caixão 

O demônio quis o curar 

Mas nem ele poderia 

Danação que já esperava os dois 

Ameaçando mais vidas 

O paraíso foi prometido da boca pra fora 

Demônio e condenado

Entregues a tortura 

Nem as correntes mais firmes

Puderam segurar 

Asas queimadas 

Pés de marfim 

O condenado se convenceu 

De que aquilo prestava 

O demônio atrás da porta 

Percebeu que o amava

terça-feira, 10 de dezembro de 2019


Anjo maldito

Ele chora debruçado no túmulo frio da única pessoa que realmente amou
Ele vaga nas noites taciturnas
Com a névoa encobrindo suas asas
Sua aura neutra,não deseja a morte
Mas lhe tiraram o que ele mais amava
Até mais que a si mesmo
O silêncio dos passos na casa
O deixa agoniado
O perfume dela ainda paira pelo ar do banheiro
Suas roupas jogadas no cesto
O anjo debruçado na lápide
Maldito,anjo amaldiçoado
Cobiçado pelos dois reis
Sozinho ele caminha,diante da noite mal iluminada
Ele vira a esquina e se depara com a morte 
Porém ele não mais a teme.

sábado, 24 de novembro de 2018

Alto mar

Tudo o que eu queria dizer a ela 
Era que estava doendo
Aquilo estava me matando 
Não me preparei para o que veio 
Afundando como um bote de plástico 
Em alto mar 
As ondas me arrastam,e eu vou indo 
Bem mais fundo 
Não existe ninguém lá para 
Me salvar,apenas eu
Sangrando em silêncio 
A cada ano que passava 
Meu silêncio a incomodava 
Eu morri a tanto tempo querida 
Queria ter ficado e cuidado de nos
Porém eu precisava cuidar so de mim
Parti sem avisar,deixando a porta aberta
Visite meu túmulo,com lembranças
Boas de nos,a verdade é que eu
Nunca me senti parte disso.

Sozinho aqui

O sol vai embora 
Mais uma vez 
A noite retorna 
Sedenta de minha solidão 
As paredes do quarto pintadas 
Refletem meu ser 
Escrevendo  na escada 
Eu reflito, penso,admito
Que sempre estarei sozinho
Apago as luzes 
Insisto em dormir 
Virando para o lado vazio 
Frio,sem ninguém 
Para me desejar boa noite.

Ela é

Ela é o clichê das manhãs 
Levantando meu astral com seu bom dia
A carnificina não orquestrada 
A bússola atemporal 
O Google maps offline
Mais perdida sou eu 
Que ainda me sinto digna dela
Por mais que eu a afaste 
Ela ainda insiste, persiste
Minha existência penhorada 
Em razão de fazê-la sorrir
Por tempos sem dor 
Ela acorda mais um dia 
Com sua nostalgia 
E eu já cansado resolvo deixá-la ser 
Quem ela pensa que é.