segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Danação


Ninguém vem te salvar na madrugada fria e chuvosa 

Viciado em cair 

Ele deixa tudo pra trás 

O demônio atrás da porta 

O espreita 

Te vê chorar 

Consolando o incomodo

Que range nas paredes do teu peito

Consegue ver isso se expandir no

Corpo inteiro 

Isso aqui não é o inferno?

O demônio se compadece

Daquela alma condenada 

Finjindo não cuidar 

Ele caiu mais uma vez 

O condenado carrega as cicatrizes 

De uma vida sem amor 

Cavando com afinco 

Encontrando os ossos 

No caixão 

O demônio quis o curar 

Mas nem ele poderia 

Danação que já esperava os dois 

Ameaçando mais vidas 

O paraíso foi prometido da boca pra fora 

Demônio e condenado

Entregues a tortura 

Nem as correntes mais firmes

Puderam segurar 

Asas queimadas 

Pés de marfim 

O condenado se convenceu 

De que aquilo prestava 

O demônio atrás da porta 

Percebeu que o amava

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