Resquícios de uma vida
Enquanto caminho
Desacelerado
Eu seguirei em frente enquanto eles querem decidir por mim
Mais uma vez morrendo por dentro
A sombra do que um dia eu fui
Hoje só restaram fragmentos
Não é justo pedir
Aquilo de volta
Eu não vou implorar
De joelhos,vencido
Esperando a compaixão
O nô na corda
Feita pra mim
Renegado e esquecido
Um morto caminha
Um homem morto
Que era respeitado
Recebeu a dádiva da lua
Deixou escapar entre os dedos
Paranóico
Pisando nas poças
Que a chuva deixou
Contando seus trocados
Ajeitando a roupa amarrotada
Por onde for amaldiçoado
Ganhou um codinome
Covardes
Apedrejam inocentes
Assistindo tudo deteriorar
Voltando ao começo
Tentando resgatar
Seu norte
Enterrada a sete palmos
Ele conhece o nome na lápide
O pássaro Negro pousado
Fazendo ninho onde
Nem ele ousou chorar.
segunda-feira, 10 de agosto de 2020
Um homem morto caminha
Danação
Ninguém vem te salvar na madrugada fria e chuvosa
Viciado em cair
Ele deixa tudo pra trás
O demônio atrás da porta
O espreita
Te vê chorar
Consolando o incomodo
Que range nas paredes do teu peito
Consegue ver isso se expandir no
Corpo inteiro
Isso aqui não é o inferno?
O demônio se compadece
Daquela alma condenada
Finjindo não cuidar
Ele caiu mais uma vez
O condenado carrega as cicatrizes
De uma vida sem amor
Cavando com afinco
Encontrando os ossos
No caixão
O demônio quis o curar
Mas nem ele poderia
Danação que já esperava os dois
Ameaçando mais vidas
O paraíso foi prometido da boca pra fora
Demônio e condenado
Entregues a tortura
Nem as correntes mais firmes
Puderam segurar
Asas queimadas
Pés de marfim
O condenado se convenceu
De que aquilo prestava
O demônio atrás da porta
Percebeu que o amava

