sábado, 31 de outubro de 2020

O quadro que o diabo pintou

 

Rios e milhas distantes 

A taça cheia de vinho 

Um renegado sentado 

Com sua espada enferrujada

Barba pra fazer 

Solto nas pilastras 

Lascas do reino desmoronando

O pingente dado ao nascer 

A proteção que não lhe cabia 

Deixou-se cair em tentação

O sangue do inocente 

Na garrafa de vinho 

Pulsos firmes segurando 

A linha atemporal

O pedido de ajuda na janela

Cinzas e brasas acesas

Sufocando o oxigênio

O cão de guarda saudando 

A lua 

Anoitecer violento 

Vidas ceifadas pela ignorância

Um bilhete caído

Com o selo papal

Nem ele poderia segurar a irá

De um deus misericordioso

A chuva apagando o fogo 

Nas vilas vizinhas

Dizimou algo que não pôde 

Devolver 

Seus soldados jazidos 

Putrefados,andarilho

Pisando em falso 

Nós cadáveres do que 

Foi um amanhã.

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